Expedicionários da Saúde montam centro cirúrgico no Haiti
Baseados em um pequeno hospital canadense, situado a 200 km de Porto Príncipe, os Expedicionários da Saúde vêm realizando cirurgias em vítimas do terremoto que, na segunda semana de 2010, deixou o Haiti em ruínas. A fim de ajudar a suprir a grande demanda por médicos após a catástrofe, a ONG enviou ao país uma equipe composta por ortopedistas, cirurgiões , anestesistas enfermeiros e profissionais de logística. Até o momento esta é a única organização civil médica brasileira a prestar socorro ao Haiti.
O planejamento da expedição começou imediatamente após o terremoto, numa campanha que levantou fundos para bancar a viagem. Sem o auxílio de órgãos públicos, o dinheiro veio de amigos e dos colaboradores usuais da organização, que também cederam materiais e equipamentos.
Os primeiros a desembarcar no Haiti foram o cirurgião ortopedista Ricardo Affonso Ferreira e o enfermeiro Hernane dos Santos. Chegaram a Porto Príncipe apenas cinco dias após os tremores. Alojados em condições precárias, dormindo em carros ou barracas e se alimentando de cereais trazidos do Brasil, tinham o objetivo de verificar a viabilidade da expedição, mas acabaram indo além.
Por indicação da OMS, conheceram o Brenda Strafford Institute, um pequeno hospital relativamente equipado, que carecia de mão de obra, mas tinha dois centros cirúrgicos à disposição. Desde os tremores, a cidade de Les Cayes, onde se situa o hospital, vem recebendo um grande fluxo de refugiados. Ao optar por utilizar a instituição, a missão diminuiu consideravelmente o volume de carga, pois pôde dispensar os centros cirúrgicos móveis, comumente usados nas expedições amazônicas (a cada três meses os Expedicionários realizam mutirões de cirurgia em povos indígenas).
Enquanto isso, em Campinas, a equipe logística da ONG lidava com o desafio de elaborar uma expedição completamente diferente das anteriores, inclusive no conteúdo da carga. Ferragens e instrumentais para cirurgias ortopédicas como pinos, parafusos e fixadores externos tornaram-se parte essencial da bagagem, que continha ainda duas autoclaves, um aparelho de raio-x, bisturis elétricos e uma infinidade de outros itens. Foram necessários três pequenos caminhões para transportar os 404 volumes pesando 3,4 toneladas.
Devido a atrasos causados pela dificuldade de acesso ao Haiti, (o aeroporto de Porto Principe, estava restrito a aeronaves militares americanas) os médicos da expedição chegaram antes da carga, no dia 28 de janeiro. Prevendo essa possibilidade, contudo, cada um havia levado 15 quilos de material, o que permitiu realizar pequenos procedimentos, limpeza de ferimentos e fixações externas.
Atualmente, a equipe composta por cinco cirurgiões ortopedistas, um cirurgião geral, dois anestesistas, um instrumentador, um técnico de raio-x e cinco enfermeiros trabalha ininterruptamente. Até o dia 14 de fevereiro foram realizadas 90 cirurgias, muitas delas bastante complexas como reconstituições de fêmur e quadril.
Após 15 dias de trabalho, a equipe atual voltará ao Brasil, e será substituída por outra, o que deve ocorrer sucessivamente, até a normalização do sistema de saúde haitiano. Todos os equipamentos e materiais levados pela ONG foram doados ao Haiti, e ficarão permanentemente no hospital.
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